O papel da Geração Z na (re)construção do futuro

O impacto da pandemia no futuro reflete-se em qualquer faixa etária, mas as suas consequências estarão longe de serem semelhantes. Para os grupos mais velhos, a Covid-19 constitui um maior risco para a saúde, para as crianças poderá trazer entraves relacionais e de aprendizagem face ao período de isolamento e educação online. No caso da Geração Z, isto é, os adolescentes e jovens adultos que nasceram entre 1995 e 2010, a crise económica e a introdução do teletrabalho formata não só o futuro do emprego, mas também os primeiros passos na vida adulta e independente. Criam-se incertezas que encontram atualmente resposta nas grandes instituições e líderes distantes das vivências deste ecossistema geracional.

Em 2021, os Gen Z são já fortes consumidores e ativos participantes no mercado de trabalho, incluindo também todos aqueles que nos próximos anos irão procurar o primeiro emprego. A mudança é inevitável, porém a prosperidade da economia implica reconhecer as necessidades, alinhar os valores e orientar os objetivos com a camada jovem, irreverente e interessada.

Segundo estudo e inquérito realizados pela McKinsey&Company[1], quatro pilares fundamentais atuam como motores geracionais: a recusa pela definição individual, o espírito de comunidade, a abertura ao diálogo e a abordagem realista.

O acesso à internet, o telemóvel e as redes sociais acompanham este grupo desde a nascença, e contribuem para  que se tenha tornado extremamente hábil cognitivamente, capaz de absorver, comparar e referenciar todo o tipo de informação, com uma vantagem considerável na interligação de experiências virtuais e reais.

Assim, ao descartar a discriminação por “rótulos”, a GenZ é também considerada a geração mais tolerante e inclusiva, com um enorme respeito pela comunidade e pelo próximo. Pretende criar impacto local, mas, com voz global, preocupa-se com causas maiores, como as questões ambientais. E porque está disposta a dar, exige receber.

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No consumo, surge uma preocupação ativa com a ética e a sustentabilidade das marcas antes de se tornar cliente, que engloba o processo de desenvolvimento, produção e distribuição do produto. Após a confiança estabelecida, porém, mantém-se fiel à compra e procura criar experiências extra produto, que é revelado também no crescimento dos serviços por subscrição, por exemplo.

Quanto ao mercado de trabalho, a responsabilidade social e a diversidade geram deal breakers imediatos: acentua-se a preferência por empregadores cujos valores estejam orientados para a multiculturalidade, a inclusão dos géneros, a prossecução de um propósito de impacto e em que o diálogo e aproximação das equipas seja basilar. As aparentes exigências conceptuais são, no entanto, compensadas com elevada qualificação, que não é devidamente valorizada a nível salarial (especialmente no caso nacional) durante os primeiros anos de trabalho.

O pós-pandemia reserva mudanças estruturais para todos os setores de atividade e está claro que, para estimular a economia, é necessário reavivar consumo e criar valor acrescentado com aumentos dos níveis da produtividade do trabalho. Assim sendo, é altura ideal para refletir e envolver ativamente esta camada na tomada de decisões e reconhecer a voz de uma geração que é fulcral na recuperação global. Reconstruir um futuro com vista aqueles que se formam hoje, mas são o talento de amanhã.

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Beatriz Viana

Autora

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