Em 1967, um grupo de estudantes da prestigiada ESSEC Business School em Paris, França, decidiu que o conhecimento que adquiria nas aulas não era suficiente. Procuravam algo mais prático, mais desafiante e que lhes permitisse testar, na realidade, aquilo que aprendiam na teoria. Movidos por uma atitude inquieta e por um espírito empreendedor raro para a época, decidiram criar aquilo que viria a ser um movimento global: a primeira Júnior Empresa.
Mas então, o que é uma Júnior Empresa? Uma Júnior Empresa (JE) é uma associação sem fins lucrativos, constituída e gerida exclusivamente por estudantes do ensino superior. O seu objetivo é simples e ambicioso: proporcionar aos seus membros a oportunidade de aplicar o conhecimento teórico em projetos reais, prestando serviços profissionais a clientes de renome. É um modelo que exige contacto direto com o mercado de trabalho, o que permite aos estudantes desenvolver soft skills e competências técnicas, preparando-os continuamente para o mercado de trabalho.
Assim, o Movimento Júnior é o ecossistema que inclui todas as Júnior Empresas: uma comunidade de estudantes que trabalham juntos, partilham conhecimento e incentivo para gerar impacto real. É esta dinâmica coletiva que faz com que as experiências das JEs ganhem força e sentido dentro de algo maior.
Por outras palavras, ser júnior empresário é muito mais do que um título, é aprender, é crescer, é pertencer. É integrar um movimento que aproxima o mundo académico do mundo empresarial, que forma os profissionais do futuro e que, acima de tudo, impulsiona o desenvolvimento, a inovação e o sucesso.
O sucesso da primeira Júnior Empresa foi imediato, e o modelo rapidamente foi replicado noutras instituições de ensino superior francesas. Apenas dois anos depois, em 1969, a Junior ESSEC uniu-se a outras cinco estruturas pioneiras para fundar a Confederação Nacional das Júnior Empresas (CNJE). Este marco foi decisivo para transformar iniciativas isoladas num ecossistema organizado, tendo como objetivos centrais federar as várias estruturas, promover a expansão do conceito, fomentar a cooperação entre as várias iniciativas, e garantir a qualidade e o espírito pedagógico do movimento.
Com a iniciativa consolidada, os anos seguintes pautaram-se pela rápida expansão interna do movimento, atingindo a marca de 50 Júnior Empresas no início da década de 80. Foi nessa altura que o conceito atravessou fronteiras e se começou a estabelecer noutros países europeus, como na Suíça e em Itália. Na sequência desta dinâmica de crescimento, o modelo chegou pouco depois a Portugal. A JUNITEC foi fundada em 1990 por um grupo de estudantes empreendedores do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Esta Júnior Empresa afirmou-se não só como a primeira em Portugal, mas também como pioneira internacional, ao provar que o modelo não se restringia às escolas de gestão, e que se aplicava com igual sucesso às áreas de engenharia e tecnologia.
A crescente dimensão europeia do movimento despertou a necessidade urgente de uma estrutura unificadora e de coordenação centralizada. A resposta surgiu em 1992, com a fundação da JADE, atualmente Junior Enterprises Europe, em Bruxelas. Esta confederação foi determinante para conectar as várias federações nacionais numa rede coesa e representar o movimento institucionalmente junto da União Europeia.
Em Portugal, a criação de novas Júnior Empresas nos anos seguintes exigiu também uma organização unificadora a nível nacional, num processo que se revelou, no entanto, mais complexo e atribulado que a norma europeia. A cronologia exata é ainda pouco clara, mas graças a um esforço recente de reconstituição histórica, sabemos hoje que a origem remonta a 2004, com a criação da AJE. Esta estrutura inicial obteve validação europeia no ano seguinte, assumindo a designação JADE Portugal. Contudo, em 2009, ocorreu uma cisão no movimento, que resultou no surgimento de uma federação paralela, a Federação de Júnior Empresas de Portugal (FJEP). As duas reunificaram-se em 2012 e o movimento mantém-se unido desde então. Recentemente, a estrutura passou por um rebranding para JE Portugal, alinhando a identidade nacional com a estratégia europeia. A estabilidade após a reunificação foi um ponto de viragem, pois permitiu passar de um conjunto de iniciativas isoladas para uma rede conectada e colaborativa.
Hoje, o Movimento Júnior em Portugal vive um momento de grande crescimento. As Júnior Empresas não são apenas outra associação académica, são organizações credíveis e profissionais, sujeitas a auditorias rigorosas e capazes de entregar resultados de excelência. Os indicadores atuais demonstram bem esta força.
Está mais que provado o valor criado pela proatividade e aplicação real das competências dos estudantes, que mostram estar prontos para responder aos desafios do mercado de trabalho.
Ser júnior empresário não é apenas um estatuto, é uma experiência única que impulsiona o início da carreira dos profissionais do futuro. À conversa com Rita Pereira, atual Presidente da Junior Enterprises Portugal, percebemos como cada Júnior Empresa e o Movimento Júnior (MJ) impactam significativamente o percurso dos estudantes.
Rita começa por descrever o seu processo de entrada na JuniFEUP, Júnior Empresa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Logo no seu primeiro ano, teve a oportunidade de participar em vários eventos do MJ a nível nacional e internacional, e foi aí que nasceu a sua motivação e consciencialização da grandiosidade do mesmo. Conta como pôde conhecer um núcleo de pessoas capazes, ambiciosas, com quem foi fácil criar ligação desde o início e com quem mantém relação até hoje.
No seu terceiro ano, assumiu o cargo de CEO da JuniFEUP, liderando uma equipa de mais de 60 júnior empresários. No entanto, percebeu que o seu papel no MJ não ficava por aí. Queria dar o seu contributo para o Movimento como um todo, culminando no seu atual mandato enquanto representação máxima do Movimento Júnior Português (MJP).
Agora, considera que os seus objetivos futuros são claros: contribuir para o reconhecimento das Júnior Empresas e fazer crescer o MJP ainda mais. Apesar de a tendência ser positiva, nomeadamente devido ao aumento da rede de alumni ano após ano, há ainda muitas empresas que não conhecem este conceito. Assim, cabe-nos a nós, júnior empresários, levá-lo às pessoas, desde familiares e amigos a recrutadores e entrevistas de emprego, fazendo com que chegue a mais empresas, faculdades e zonas do país.
Apesar do impacto que o Movimento Júnior tem no percurso dos seus membros e na formação de futuros profissionais, a realidade é que ainda existem oportunidades de melhoria no que diz respeito ao seu reconhecimento e visibilidade. No entanto, este desafio é nosso e, por isso, com a mesma determinação e paixão que nos trouxe até aqui, devemos expandir o nome do Movimento e demonstrar o que podemos oferecer ao mercado de trabalho. Essa determinação de educar para a importância e grandeza do Movimento Júnior é a chave para garantir que gerações de júnior empresários do passado, presente e futuro tenham o reconhecimento merecido e possam continuar a gerar impacto e a fazer a diferença.
by Blendd © FEP Junior Consulting. Todos os direitos reservados. | Política de Privacidade & Cookies